Carta de um Capitão
Caro Dostoievski,
Sempre quando acordo ao toque da alvorada, ouço risos ensaiados vindo do seu buraco. Ops, última forma! Do seu quarto.
Então marcho em direção a minha porta e o vejo com caras e bocas a falar com o seu outro, parecendo estar em ordem unida.
De forma clara e positiva confirmo você rosnar e gritar parecendo que irá para um duro combate. Vibro daqui de minha trincheira. Chego a roer-me os dentes com sua bravura.
Mas eis que em seu último gesto: “Plaft!” Murcharam você e o seu outro.
Ratifico – sem trocadilhos com a minha pessoa- que se faz de pulha. Um covarde. E como diz o ditado, “aos covardes, nem em pesadelo, à vitória”.
Devo partir agora. Subestimarei alguns gatunos, subjugarei alguns vermes. Mas não hesitarei em nenhum momento as minhas ações.
Sem mais nem longas,
O Rato Capitão.
[carta ao personagem "Dostoievski", de Flamarion Silva, no livro "O Rato do Capitão", no conto homônimo; pag 49 -52]

