SOCIEDADE DO CANSAÇO
SOCIEDADE
DO CANSAÇO
Eu resolvi comprar esse
livro quando eu vi uma entrevista no Instagram Desculpe não sei quem foi, mais
eu gostei muito do título: Sociedade Do Cansaço
No primeiro capítulo
intitulado de A Violência Neuronal, o autor, filosofo Byung-Shul Han
distingue a sociedade Moderna da pós-Moderna. A sociedade Moderna era
imunológica, viral e bacteriológica. Tinha cura nas vacinas, nas drogas - as
doenças “eram virais”. Os males aqui eram “de fora para dentro”. Enxergava
alteridade e a estranheza. Era a sociedade da negatividade, da obediência: a sociedade disciplinar.
A sociedade pós-moderna
ou sociedade neuronal, como o próprio nome diz, é neurológica, a das terapias e
dos traumas. Em vez de enxergar a alteridade, vê a diferença (o outro para
menor), Em lugar da estranheza o exotismo (proibido). É um excesso de
positividade causando depressões, TDAH, síndrome de burnout, transtornos de
personalidade limítrofe. Sociedade de auto-gestão: a
sociedade de desempenho. Aqui os males são de “dentro para fora”.
No capítulo 2 Além
Da Sociedade Disciplina, autor explica que sai a sociedade disciplinar,
aquela da negatividade do dever, e entra a sociedade de desempenho, a da
positividade do poder. O poder sobre si mesmo se transforma em escravidão de si
mesmo, quando a farsa de que nada é
possível vira uma crença social que nada
é impossível. Isso provoca um esgotamento depressivo, e não recai sobre o
fato de obedecer a si mesmo, mas sim, na pressão do desempenho sobre si mesmo.
Perdeu-se o Tédio
Profundo (capítulo 3). O excesso de positividade, de falsos poderes, ocasiona
excessos de estímulos, nos causa a função multitarefa - aquela que faz tudo e
ao mesmo tempo não faz nada; coisas rasas, transitórias. A hiperatenção acarretando
menos sono, menos Descanso físico; menos tédio, menos Descanso espiritual. Existe
aqui uma perda da introspecção, do conhecimento do eu, da intimidade, da
espiritualidade. O filósofo recobra os deveres - a potência da negatividade, a
concentração do laboro, a atenção profunda e contemplativa, (o nosso ócio
criativo!) Determinante para o descanso espiritual e inspirador
Han descreve no capítulo
4 Vita
Activa que há uma degradação que tradicionalmente nossa vida ativa era
mais contemplativa, a atividade heroica, o ser era um agente que tinha fé em
suas obras e na finitude delas. Na modernidade, há mais agitação, uma
passividade mortal. O homem virou animal
laborans: nada dura, as coisas subsistem, tudo é transitório. Motivando
nervosismos e inquietações. O homem é prisioneiro e vigia, vítima e agressor
do/no próprio ambiente de trabalho
A
Pedagogia Do Ver
é o capítulo 5, em que o escritor os convida à retomada da vida contemplativa;
do olhar demorado, profundo e lento; do reaprender a ver, e da não reação
imediata aos estímulos. Devemos ter o controle dos estímulos inibitórios e
limitativos, com o fazer soberano que diz não, e que não dá margem às
inquietudes e as hiperatividades. A volta da negatividade da interrupção, do
combate à estupidez mecânica, para promover a ira, e para reacender as
potências negativas e positivas do ser .
No
capítulo 6 ele conta o Caso de Bartleby que, na visão da
sociedade disciplinar, é um personagem que faz uma revolta passiva contra o
capitalismo e a burocracia; contra a alienação e a solidão; contra a limitação
da empatia; e ainda assim o “preferir não” como uma Liberdade. O autor e
filósofo pós-moderno tem uma visão para além, como sociedade desempenho, quando
a passividade do personagem demonstra um esgotamento do animal laborans que vive na estupidez mecânica, mas ainda assim,
educadamente, tenta negar - a recorrer
sua potência negativa, contra tudo e a todos a sua volta.
E
no último capítulo Sociedade Do Cansaço, o filósofo descreve esta sociedade com
uma sociedade do desempenho, uma sociedade (pali)ativa pelo ‘doping’ que reduz a
vitalidade (algo complexo) a uma função vital e um desempenho vital. Desempenho
esse sem desempenho devido ao cansaço solitário, individual, isolado: “ninguém
pode, ninguém quer um mau desempenho” – é
preciso manter a farsa do desempenho. Ele confirma que o cansaço de esgotamento
é incapacitante, e o cansaço que inspira é o da potência negativa, o do não
fazer!
Ainda
tenho mais dois livros desse autor em minha lista de leitura...





