terça-feira, 21 de julho de 2009

FOTO&POEMA
















































EU NÃO SOU VOCÊ, VOCÊ NÃO É EU.



Eu não sou você,
Você não é eu,
Mas sei muito de mim,
Vivendo com você.
E você,
Sabe muito de você vivendo comigo?
Eu não sou você,
Você não é eu; mas encontrei comigo e me vi enquanto olhava pra você na sua, minha, insegurança...
Na sua, minha, desconfiança...
Na sua, minha, competição...
Na sua, minha, birra infantil...
Na sua, minha, omissão...
Na sua, minha, firmeza...
Na sua, minha, impaciência...
Na sua, minha, prepotência...
Na sua, minha, fragilidade doce...
Na sua, minha nudez aterrorizada;
E você se encontrou e se viu enquanto olhava pra mim?
Eu não sou você,
Você não é eu;
Mas foi vivendo minha solidão
Que conversei com você
E você conversou comigo na sua solidão ou fugiu dela, de mim, de você?
Eu não sou você,
Você não é eu;
Mas sou mais eu,
Quando consigo lhe ver porque você me reflete...
No que eu ainda sou, no que já sou e... No que quero vir a ser...
Eu não sou você,
Você não é eu;
Mas somos um ...,
Enquanto somos capazes de, diferencialmente, eu ser eu, vivendo com você; e você ser você, vivendo comigo.






YO NO SOY TU, TU NO ERES YO
Yo no soy tu,
Tú no eres yo;
Pero Yo sé mucho sobre mí
Viviendo contigo
¿Y tú sabes de ti viviendo conmigo?
Yo no soy tu,
Tu no eres yo; pero encontré conmigo y me reconocí en cuanto miraba te en la mi inseguridad tuya,
En la tu duda mía,
En la mi competición, tuya,
En las tus tonterías infantiles mías,
En la mi omisión tuya,
En la tu firmeza mía
En la mi impaciencia tuya,
En la tu prepotencia mía,
En la mi fragilidad dulce tuya,
En la tu desnudez aterrorizada mía.
¿Y tu encontraste y reconociste a ti mismo en cuanto miraba me?
Yo no soy tu,
Tu no eres yo;
pues fue viviendo en mi soledad
que hablé contigo
¿Y tu hablaste conmigo en tu soledad o te fugó de ella, de mí, de tu mismo?
Yo no soy tu,
Tu no eres yo;
Pues yo soy más seguro
cuando consigo verte porque tu reflejes me
en todo que, todavía fue, soy... y seré...
Yo no soy tu,
Tu no eres yo;
Mas somos
un ...
En cuanto somos capaces de, diferencialmente, yo ser yo, viviendo contigo; y tú ser tú, viviendo conmigo.



I AM NOT YOU, YOU ARE NOT ME
I am not you,
You are not me;
But I know myself well again
Living with you
And you; do you know such thing about yourself, living with me?
I am not you.
You are not me; but I found myself when I looked at you in my own, your insecure,
In my own, your treachery,
In my own, your antagonism,
In my own, your laughing and joking,
In my own, your omission,
In my own, your dogmatism,
In my own, your impatience,
In my own, your authority
In my own, your cute tenderness,
In my own, your shaken exposure
And you, did you find yourself when you looked at me?
I am not you.
You are not me;
In my solitude though,
I got you
And you; did you get me in your solitude or escape from it; from me; from yourself?
I am not you.
You are not me;
But I am all that man
When I put you together as my reflection…
Strength me, in my absent, present and future
I am not you.
You are not me,
But, we are as one,
And, in degrees of difference, up to be myself living within you; or be yourself living within me.

domingo, 19 de julho de 2009

Do medo...


Finda o nada. Pesa o instante.
Foge ao risco. Imutável inconstante.

Constrói muralhas de dor e tormento.
Une-se ao Frio e esquecimento.

Angustia.
Desiste.
Sofre e insiste.

Faz do ser o não-ser.


Is that a crime?
To make you mine,
To dream so high.

Don’t you see?
You do whatever you do
And I’ll let you free.

Is that wrong?
To wait for so long
For you I belong.

I love you so
If you want to: go!

Spread your wings
through the sky.
Feel what freedom brings
and fly.

Don’t push yourself hard.
Loves does not expect
one merely regard.

Love makes people strong
And indefensible sometimes.
And it’ll be not a crime
To make these such innocent rhymes.

sobre mudanças....


They always say time changes things, but you actually have to change them yourself.
Andy Warhol (1928 - 1987)




[ As pessoas sempre dizem que tempo muda as coisas. Mas você na verdade tem que mudá-las por você mesmo.]

Tua libido


Sinto tua libido.
Que começa no cheiro,
Instinto, insano.

Desejo tua libido.
Que me deixa afoito, no coito.
À noite.
De açoite.

Quero tua libido.
Que me arranhe,
me assanhe,
me excite.

Tua libido, teu sexo.
Sem regras, sem nexo.
Aqui descrevo
pelo avesso dos meus versos
controversos...

TUA LIBIDO

 


Sinto tua libido.

Que começa no cheiro,

Instinto, insano.

 

Desejo tua libido.

Que me deixa afoito, no coito.

À noite.

De açoite.

 


Quero tua libido.

Que me arranhe,

Me assanhe,

Me excite.

 

Tua libido, teu sexo.

Sem regras, sem nexo.

Aqui descrevo

Pelo avesso dos meus versos

Controversos...

sábado, 18 de julho de 2009

Poema do Menino Jesus - Fernando Pessoa





Num meio-dia de fim de primavera eu tive um sonho como
uma fotografia: eu vi Jesus Cristo descer à Terra.
Ele veio pela encosta de um monte, mas era outra vez
menino, a correr e a rolar-se pela erva
A arrancar flores para deitar fora, e a rir de modo a
ouvir-se de longe.
Ele tinha fugido do céu. Era nosso demais pra
fingir-se de Segunda pessoa da Trindade.
Um dia que DEUS estava dormindo e o Espírito Santo
andava a voar, Ele foi até a caixa dos milagres e
roubou três.
Com o primeiro Ele fez com que ninguém soubesse que
Ele tinha fugido; com o segundo Ele se criou
eternamente humano e menino; e com o terceiro Ele
criou um Cristo eternamente na cruz e deixou-o pregado
na cruz que há no céu e serve de modelo às outras.
Depois Ele fugiu para o Sol e desceu pelo primeiro
raio que apanhou.
Hoje Ele vive na minha aldeia, comigo. É uma criança
bonita, de riso natural.
Limpa o nariz com o braço direito, chapinha nas poças
d'água, colhe as flores, gosta delas, esquece.
Atira pedras aos burros, colhe as frutas nos pomares,
e foge a chorar e a gritar dos cães.
Só porque sabe que elas não gostam, e toda gente acha
graça, Ele corre atrás das raparigas que levam as
bilhas na cabeça e levanta-lhes a saia.
A mim, Ele me ensinou tudo. Ele me ensinou a olhar
para as coisas. Ele me aponta todas as cores que há
nas flores e me mostra como as pedras são engraçadas
quando a gente as tem na mão e olha devagar para
elas.
Damo-nos tão bem um com o outro na companhia de tudo
que nunca pensamos um no outro. Vivemos juntos os dois
com um acordo íntimo, como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer nós brincamos as cinco pedrinhas no
degrau da porta de casa. Graves, como convém a um DEUS
e a um poeta. Como se cada pedra fosse todo o Universo
e fosse por isso um perigo muito grande deixá-la cair
no chão.
Depois eu lhe conto histórias das coisas só dos
homens. E Ele sorri, porque tudo é incrível. Ele ri
dos reis e dos que não são reis. E tem pena de ouvir
falar das guerras e dos comércios.
Depois Ele adormece e eu o levo no colo para dentro da
minha casa, deito-o na minha cama, despindo-o
lentamente, como seguindo um ritual todo humano e todo
materno até Ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma. Às vezes Ele acorda de
noite, brinca com meus sonhos. Vira uns de pena pro ar,
põe uns por cima dos outros, e bate palmas, sozinho,
sorrindo para os meus sonhos.
Quando eu morrer, Filhinho, seja eu a criança, o mais
pequeno, pega-me Tu ao colo, leva-me para dentro a Tua
casa. Deita-me na tua cama. Despe o meu ser, cansado e
humano. Conta-me histórias caso eu acorde para eu
tornar a adormecer, e dá-me sonhos Teus para eu
brincar.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O SAL É O CÉU

 

Pequenos lábios se entreabrem,

Quando a língua roça

Tua pele rosa

Entre o colo e o sal.

 

Eriçam os pelos.

Lábios sorriem, se beijam.

 

Pernas se abrem, tremem.

Bocas sussurram, gemem.

 

O prazer de açoite nos castiga.

Até que, enfim,

Em minha Inquieta boca,

O teu gozo findo.

domingo, 5 de julho de 2009

SEXY VIRTUAL

 


Câmera, ação!

Lábios nos dentes.

Desejos vãos?

Vontades em mente...

Dedos, teclado.

Tesão. Tensão.

Dedilhos, molhados:

Entregar-se ou não?

“Vem agora...

Depressa, não demora! ”

Alcinha, Calcinha.

Toque. Decote.

Solo. Gozo.

Instinto animal.

Íntimo ou dolo?

Sexo virtual.


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