segunda-feira, 31 de agosto de 2009


The meeting of two personalities is like the contact of two chemical substances: if there is any reaction, both are transformed.
Carl Jung (1875 - 1961)

[O encontro de duas personalidades é como um contato de duas substâncias químicas: Se houver qualquer reação, ambos estarão transformados.]


Por acaso numa chuva triste
em meios aos cacos,
me descobriste.

Num encontro avulso,
teu vulto numa penumbra.
Te afogo,
me afundas!

E o ocaso nos brinda
com a mais pura sorte.
E no falo e no corte,
A arte se finda.

Sobre Wright’s, Dumont’s e Batistinhas, perguntas, pesamentos, ciência e arte...


Toda busca por um ideal de perfeição - teórico - tem como ponto de partida um processo laboratorial, como base na prática e na realidade que vivemos. Este processo científico vai gerar nossas perguntas, e nossos pensamentos (reflexões). Ele surge da imperfeição.

Se algo possui objetivo prático, não podemos esquecer/raciocinar para as várias possibilidades para tal. A despeito da sociedade em que vivemos, devemos estar atento, por exemplo, aos extremismos pragmáticos ou racionalistas. Extremos – salvos em situações especiais – muitas vezes não se fazem eficazes.

Se pendermos para o lado dos pragmáticos de carteirinha dos Wright’s, isso pode nos levar a um oportunismo mercenário. Já o racionalismo sonhador de Dumont nos faria viver num narcisismo, muitas vezes, infundado.

O que existe em comum nesses dois lados é a criatividade, originária do imperfeito, cada vez mais necessária a nova ciência, e a nova arte. É preciso, então, valorizá-la, empregá-la com objetividade. Sem deixarmos de entender também que as várias sociedades irão usufruir desta de forma diferente.

O indivíduo, base dessa sociedade imperfeita, sofre influências - internas e externas, pergunta, pensa, avança, evolui. Fruto da cosmo-visão que cada um constrói através de suas vivências, e de sua hereditariedade.

Durante essas experiências ao longo da vida, o ideário de perfeição nos remete a busca inspiradora da mais perfeita simetria das coisas e dos fatos ao nosso redor. Mas justamente da exaltação ou da percepção da importância do imperfeito é que as coisas andam.

Revolucionemos nossa produção artística e científica. E em meio a avanços e esperanças, apreciemos melhor os hedonismos de nossos Batistinhas, e associemos criatividade à prática; excelência e eficiência.


Texto resultado da reflexão sobre os textos:
• “Os Wright’s, Dummont, e Batistinha.” Cláudio de Moura Castro, na seção Ponto de Vista, da revista Veja, de 12/07/2000;
• “As mãos perguntam, a cabeça pensa.” Rubem Alves, Tendências e Debates, Folha de São Paulo 21/07/2002;
• “A importância do imperfeito na arte e na ciência.”, Marcelo Gleiser, especial para a Folha de São Paulo, 08/11/1998.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Bagunça no bar da Saúva

Lá chegou o Pato,
o Ganso e o Marreco.

Tomar umas duas,
“na viúva”, no boteco.



“Dois conhaques, uma pinga!”
Prontamente atendido pela Jacutinga.


Papo vai, papo vem;
Olha quem apareceu mais além?


Bem no meio do salão,
A Tanajura, a Abelha, e a Vespa.
Rebolando no maior sambão!
“Vambora maestro, hoje é sexta!”

Ânimos exaltados mudam depressa a situação:
“Passaram a mão no abdômen
das meninas, no salão!”



“No abdômen? Sem problemas.
Ainda que fosse na B****”
Aí que se deu a querela.
Foi uma ofensa, Profunda...


A Centopéia trocando as pernas
veio tentar apaziguar...
Hum, isso não é bom,
já sei no que a vai dar!


No que o Marreco deu pitaco
na muvuca do boteco
O Zangão no desaforo
já deu logo um peteleco.




Cadê, cadê, cadê?
Foi aquele fuzuê!

É Curió cantando de galo;
e Galo sem sabe o que fazer!






Foi um pega-pá-capá;
era Aranha jogando capoeira!
Pata aqui, pata acolá;
e Bicho-pau caindo na madeira!


Um Papagaio irado gritou:
Afoga o ganso, afoga o ganso!
Era rixa antiga
desse velho corno manso.


O paparazzo Vaga-lume trouxe a luz,
veio dar o bote.
E o Tatu e a Cotia, que curtia pacas,
evitaram os holofotes.



A Viúva negra assistia de sua teia.
E rezava, e gritava:
“Jesus, Jesus me chicoteia!”

O caldeirão ferveu,
a poeira subia.

A Lagarta nem se mexia:
Era só... Alergia!


E a Barata e a Pulga que curtiam o ‘maior barato’?
Tiveram de sumir com a naftalina E fugiram logo pelo ralo...


Eis que a vida imita a arte.
De repente surge em cena uma Joaninha.
Faz parte!


Mas agora mesmo que fedeu...
Chegou o delegado Percevejo:
F*#*#!


E a turma do deixa-disso chegou,
foi logo dizendo:
“Abre a roda, aquieta o facho.
Ordem no estabelecimento!”

Botando ordem no pedaço,
um baixinho marrento.

Só poderia ser ele:
O Escaravelho sargento.



O Ganso que não era manso,
não dava ponto sem nó.
O Percevejo se irritou,
mandou logo pro xilindró!


O Louva-deus embriagado jura,
diz que foi a Tanajura.


A formiga replicou:
“Doutor, Esse aí, não tem mais ‘cura’!
Sabe o que ele tá precisando?
É de tomar uma outra ‘dura’!”


A boca miúda,
o Cupim dizia:
“Esse verdão afoga as mágoas
– do Ganso –todo dia...”




A Minhoca se enrolou,
e nada disse.
“É X-9, patife!”




A Traça, que é traíra,
delatou logo o culpado
.
Olha só quem diria...
E não é que foi o Pato?





“Peremptória ocasião,
para este inquietante colóquio...”

Discursava a Mutuca
o seu velho bolodório!





O ‘Louva’, bêbado no faniquito,
parou tudo, deu um grito:
“Viva a ditadura... E a picadura...
do Mosquito!”




A história se repete mais uma vez:
O que começa no bufete
vai terminar é no xadrez!

É sempre a maior sensação,
esse Bar da Saúva...

“Tá procura de emoção?
Vem pra cá, Não se iluda!”


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