quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Sobre um amor....


Ame.

Ainda que as atitudes estejam adversas. A espera agonizante. A assistência distante. As conversas duras. As conclusões finitas.


Isso incomoda? Ame.


Ame até acomodar-se. Aquele tremor, aquele frio gostoso da presença do outro é o incômodo da acomodação.


Acomodação que entende com o tempo o que o outro necessita e lembra: “Eu estou aqui”, “Eu cheguei”, “Eu te apoio”. Aquela que reserva um cantinho do peito, uma parte de você, e que foi preenchida por este ser que se apossou sem pedir licença.


Ainda que você tenha jurado esquecer, ainda que apareçam umas sem-razões pra não amar, ame.


Ame com toda intransitividade do verbo. Com todo peso da atitude . Com a leveza do olhar.


Se, ainda assim, duvidarem disso. Insista. E apenas ame. Pois nem o tempo pode resistir a um amor sem explicação.


E assim seja.

sábado, 24 de outubro de 2009

Sina


Por medo de perder,
Fica com medo de encarar.

Por não falar,
Não pode mais abraçar.

Sem abraço:
sem calma,
sem colo.
Logo, choro.


Se amor machuca,
Por que então juras de amor?

À noite, domir
a insônia custa.
De dia, a ilusão cega,
é justa.



Saudades ...
dos beijos aqui, assim.


É dor que alucina
.
Veneno que fascina.

Amar é uma sina.




TO THE LORD

Whenever YOU have taken me
was fine.
Wherever YOU have tested me
all right.
However I have doubted
YOU always smile.
YOU’ve been teaching me very kindly.

YOU have changed my mood...
It’s got t be good!

When I feel a trash
I make a wish,
in me , YOU trust.

Changes I have made all my life,
YOU have given me chances days and nights.

I am not begging YOU by a sword.
Simply I write this odd
Just for YOU, my Lord!


1. Trabalho fazer uma análise do poema galego - “Camiño longo”- de Ramon Cabanillas:

Camiño longo

Caminõ, camiño longo
camiño da miña vida
escuro e triste de noite
triste e escuro de día...
¡camiño longo
Da minha vida!

Verea, verea torta
Em duras laxes abertas
Arrodeadas de toxos
Crebada polas lameiras...

Caminõ, camiño longo
A chovia , a neve e as silvas
enchéronme de friaxe
cubríronme de feridas...
¡camiño longo
Da minha vida!

Verea, verea fonda
De fonte triste, sen auga;
sen carballos que dean sombra
nin chozas quen dean pousadas
¡verea fonda
ti cando acabas!

Comentários:

Logo de inicio, vemos uma padronização na estrutura do poema. Com versos octassilábicos, as quatro estrofes dão um esqueleto rígido ao poema.

As repetições de palavras e expressões nos versos configuram um paralelismo na poesia de Ramon Cabanillas.
“Caminõ, camiño longo” (estrofes 1 e 3)
“Verea, verea fonda” (estrofes 2 e 4)

O poeta não se faz uso de rimas ordenadas e sim de um jogo de palavras, que expressam movimento, a saga, o épico:
Caminõ, camiño longo/ camiño da miña vida” (versos 1 e 2)

Dor e agonia:
escuro e triste de noite / triste e escuro de día...” (versos 3 e 4)
“enchéronme de friaxe / cubríronme de feridas...” (versos 13 e 14)

E praticamente todas as estrofes terminam com uma exclamação retórica que tem uma estrutura que evidencia o castelanismo:
¡camiño longo / Da minha vida!
(nas estrofes 3 e 4)
¡verea fonda / ti cando acabas!

O poema é uma metáfora melancólica de uma viagem tendo o mar como um caminho épico, e interminável.

Evidencia-se o recurso da inversão (hipérbato) e antítese:
escuro e triste de noite / triste e escuro de día...” (versos 3 e 4)

Observamos no poema a aliteração e a anáfora:
Verea, verea fonda
De fonte triste, sen auga;
sen carballos que dean sombra
nin chozas quen dean pousadas.

Em todo o poema o peso da adjetivação (“triste”, “escuro” , “fondo”, “tortas”, “abertas”) é muito forte.

Estilo literário:
Ramon Cabanillas faz uso de uma poesia narrativa onde se faz presente o lirismo, sentimentalismo, costumismo, neste poema. E acrescentando; porque não dizer também o modernismo, saudosismo e civismo são temas presentes conjunto de suas obras.

O poeta colaborador da “Irmandade da fala” tem em sua atitude temático-estilístico a manifestação sempre na direção de representar liricamente os interesses e necessidades do nacionalismo como também na procura de uma estética nacional. E em “Camiño longo” pode se ter uma bela amostra disso.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Doa amor e dou sexo


O amor é chique; sexo dá chilique.
Amor o bem se faz; sexo o mal se atrai.
Amor é brejeiro.
Sexo até no bagageiro!


O amor é passeio, sexo é recreio.
Amor transcende; sexo transpira.
Amor é saúde.
Sexo é fast-food.


O amor flutua. Sexo afunda; é bunda.
Amor é viral, sexo viril.
O amor das partes emana.
Sexo é arte sacana!

O amor envolve, sexo é ‘69’.
Amor eleva aos céus; sexo é bordel.
Amor finda o vazio.
Sexo se basta no cio.

Doa amor a cura; dou ao sexo a dura!
O amor vem da alma, sexo da mão na palma.
Amor convém.
Sexo é vai-e-vem.


O amor louva a Galícia, sexo é delícia.
Amor reflete, sexo é ‘gilete’.
Amor o peito afaga.
Sexo o fogo apaga.



O amor é côncavo; sexo, convexo.
Amor é subjetivo; sexo, objeto.
Amor, pode vir anexo...
Mas, por favor: eu quero é sexo!

DOA AMOR E DOU SEXO

 



O amor é chique; sexo dá chilique.

Amor o bem se faz; sexo o mal se atrai.

Amor é brejeiro.

Sexo até no bagageiro!

 

O amor é passeio, sexo é recreio.

Amor transcende; sexo transpira.

Amor é saúde.

Sexo é fast-food.

 

O amor flutua. Sexo afunda; é bunda.

Amor é viral, sexo viril.

O amor das partes emana.

Sexo é arte sacana!

 

O amor envolve, sexo é ‘69’.

Amor eleva aos céus; sexo é bordel.

Amor finda o vazio.

Sexo se basta no cio.

 

Doa amor a cura; dou ao sexo a dura!

O amor vem da alma, sexo da mão na palma.

Amor convém.

Sexo é vai-e-vem.

 

O amor louva a Galícia, sexo é delícia.

Amor reflete, sexo é ‘gilete’.

Amor o peito afaga.

Sexo o fogo apaga.

 

O amor é côncavo; sexo, convexo.

Amor é subjetivo; sexo, objeto.

Amor, pode vir anexo...

Mas, por favor: eu quero é sexo!

sábado, 3 de outubro de 2009


Análise do poema galego - “O maio”- de Manuel Curros Enríquez:

O Maio

Aí vén o maio
de flores cuberto...
Puxéronse á porta
cantándome os nenos;
e os puchos furados
pra min estendendo,
pedíronme crocas
dos meus castiñeiros.

Pasai, rapaciños,
calados e quedos;
que o que é polo de hoxe
que darvos non teño.
Eu sonvos o pobre
do pobo galego:
pra min non hai maio,
¡pra min sempre é inverno! ...

Cando eu me atopare
de donos liberto
e o pan non me quiten
trabucos e préstamos,
e como os do abade
florezan os meus eidos,
chegado habrá entonces
o maio que eu quero.

¿Queredes castañas
dos meus castiñeiros? ...
Cantádeme un maio
sen bruxas nin demos;
un maio sen segas,
usuras nin preitos,
sen quintas, nin portas,
nin foros, nin cregos.
Comentários:
Começando pela parte estrutural, podemos notar que Manuel Curros Enríquez introduz uma glosa logo na estrofe inicial. E, com oito versos hexassilábicos cada uma, as quatro estrofes dá um esqueleto rígido ao poema.
Fenômenos lingüísticos são observados no poema de Curros Enríquez. Primeiro, um fenômeno da própria língua galega que, por um recurso estilístico, se utiliza da adição final de uma vogal (-e) no verbo atopar (encontrar) :
“Cando eu me atopare” [Est. 3; V. 2]
O castelanismo também ocorre:
“chegado habrá entonces” [Est. 3; V. 7]
Já passando pelas figuras de linguagem, a nível semântico, o próprio título - O maio - já é uma grande metáfora. Ela simboliza o produzir da terra, o nascer das flores, a Primavera. “Pedindome crocas” [Est. 1; V. 7] simboliza as migalhas, esmolas, a pobreza que o povo de Galicia vem se submentendo.
E assim se vale para outras palavras:

”sen segas, Sem cortes, retaliação
[...]nin
portas, ” Nem prisões, falta de trabalho
[Est. 4; V. 5 e 7]


Este mesmo “maio”, como simbolo de Primavera, faz antítese [Est. 2; Vs. 7-8]
pra min non hai maio,
¡pra min sempre é inverno! ...

A Igreja esta simbolizada pela metonímia em:
“e como os do abade” [Est. 3; V. 5]
“nin foros, nin
cregos.” [Est. 4; V. 8]

E no mesmo verso da 3ª estrofe, existe uma comparação, com um toque de ironia:

“e como os do abade / florezan os meus eidos,” [Est. 3; Vs. 5-6]

Neste exemplo acima, também podemos evidenciar o recurso da inversão (hipérbato).

Quanto ao nível morfossintático e fônico, podemos observar no poema a anáfora e a aliteração:

sen
bruxas nin demos;
un maio
sen segas,
usuras
nin preitos,
sen quintas,
nin portas,
nin foros, nin cregos.
[Est. 4; Vs. 4-8]

As rimas podem ser tanto a nível vocálico (silábica) como fônico (sibilar):

1ª estrofe
mai
o/cuberto # nenos/estendendo #furados/crocas/castiñeiros

2ª estrofe
rapaciñ
os/ calados e quedos # hoxe/pobre #teño/galego #maio/inverno

***
O poeta denuncia a emigração da Galícia, a pobreza dos que ficaram, tem compaixão por estes e os defende das injustiças, que vive entre os riscos econômicos - seca, fome, miséria - e os riscos advindo do poder – riqueza senhoril, impostos e taxas.

E ao mesmo tempo Enríquez ataca um de seus desafetos que a Igreja – a instituição – que, meio ao caos, ainda usurpava o povo galego pobre e infeliz que vivia então em meio a uma crise econômica sem precedentes.

Este poema “O maio” possui uma temática sócio-política – e que podemos chamar também temática de compromisso ou realista. Com um mote mais existencialista e filosófico, tendo sempre a Galícia como pano de fundo.





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