Venho, através desta, avisá-lo que não quero mais servir de tema, de paciente pra você e nem pra seu amigo professor de Sintaxe.
Meu querido, seu signo lingüístico, e nem do zodíaco, já não batem mais com o meu. Faz anos - aqui o sujeito tempo bota indeterminado nisso!
É agente pra cá, a gente pra lá, eu viro objeto de um sujeito que nem mais sei quem é. Só sei que – pelo andar da carruagem – não será mais você. A minha meta é não ser mais paciente com você. Estão dizendo por aí que sou pra gramática, previsível, é isso aí. Ninguém merece.
Você no máximo quebra um copo ou uma perna. Eu já me suicidei, fiquei doente, já fui e já estive inteligente... O que você já me fez comer de bolo... Estou sofrendo alterações no meu léxico! Falando e vomitando, falando e vomitando. É dislexia! O médico me disse. Minha relação forma e conteúdo já foi pro espaço. Ninguém entende mais minha língua.
Você está quase sempre oculto e, às vezes, se sente não-realizado. Ainda vem o tal de Dr. Lucchesi fica dizendo que você é que paga a conta.
O que quero dizer, na verdade, é que você não possui predicados que me satisfaçam. Praticamente não existe! Você é um sujeito expletivo em minha vida.
Agora eu quero alguém cheio de argumentos, internos e externos. Que me coloque entre colchetes e me mostre toda a sua estrutura. Entende? Não terei mais voz passiva em relação a este assunto.
A partir de hoje serei apenas seu ponto final.
Sua eterna beneficiária, porém não mais destinatária, Maria
Pela manhã me assanhas; A tarde te traz; e, à tarde, me trais. A noite domina a mim e a ti. Mentes brilhante – mentes.
Regre com passos. Corte os im-pulsos. Releve a dor, mas não se revele, amor!
E ao por fim, assim, Aprenda, minha prenda... E depois de tudo: prenda-me!
sábado, 12 de setembro de 2009
Análise do poema galego - “Negra Sombra”- de Rosalía de Castro:
Negra Sombra
Cando penso que te fuches, negra sombra que me asombras, ó pé dos meus cabezales tornas facéndome mofa.
Cando maxino que es ida, no mesmo sol te me amostras, i eres a estrela que brila, i eres o vento que zoa.
Si cantan, es ti que cantas, si choran, es ti que choras, i es o marmurio do río i es a noite i es a aurora.
En todo estás e ti es todo, pra min i en min mesma moras, nin me abandonarás nunca, sombra que sempre me asombras.
Comentários: Pode-se começar destacando alguns aspectos físicos (estruturais) do poema. Este possui uma métrica rígida – praticamente todos os versos possuem sete sílabas métricas. Entre as estrofes, os paralelismos vêm sob a forma de uma palavra:
[ Cando penso que te fuches,] (1ª estrofe) ... [ Cando imaxino que es ida] (3ª estrofe)
Ou de uma expressão:
[negra sombra que me asombras,] (1ª estrofe) [sombra que sempre me asombras.] (4ª estrofe)
Internamente também se confirma isto, na 3ª estrofe:
[Si cantan, es ti que cantas, /si choran,es ti que choras, /i eso marmurio do rio /ies a noite i es a aurora.]
O uso da inversão valora ainda esta mesma a estrutura, o que chamamos de epanadiplose:
[Entodoestás e ti estodo,]
Já em relação aos aspectos lingüísticos, a metáfora da sombra está mais que evidente, dirá que além de metáfora existe uma personificação da mesma, pois o eu-lírico dialoga com ela. O paralelismo mencionado no aspecto anterior baseasse na repetição de palavras e/ou expressões. É quando ocorre também o polissídeto:
[i es o marmurio do rio / i es a noitei es a aurora.] ... [En todo estás e ti es todo, / pra min i en min mesma moras,]
Verifica-se também o jogo de oposição de palavras, dando a idéia de antíteses, como,
Sob o aspecto histórico-cultural se pode confirmar um passeio por c várias temáticas: a temática costumista, quando a poesia revela a devoção do povo galego que vive, canta, chora e morre como “sombras” nas terras de Galícia. A temática intimista surge quando o eu-lírico dialoga com essa mesma sombra e se dá um caráter biográfico ao poema. A autora reflete um problema que ela sente, mas que também é sentido por toda Galícia. E porque não falar da temática amorosa? Um amor pátrio (regionalista) que resiste mesmo depois de morto, pois
En todo estás e ti es todo, pra min i en min mesma moras, nin me abandonarás nunca, sombra que sempre me asombras.
Rosalía de Castro coloca essas sombras além de sua dúvida subjetiva. Ela consegue refletir um povo que se nega a abandonar a terra quando morre; um povo que quer regatar e transformar em mito essa cultura, que também tem sol, festa e alegria. Esta é idéia central deste poema.