terça-feira, 8 de maio de 2012

AFOITO

 

Colagem em papel, Ferreira Gullar

Todos os desejos de amor são taciturnos

Ainda mais aqueles não realizados, e não revelados, um dia!

 

Imaginar-te em todo o percurso

Do cheiro ao tato, na ânsia do ato:

De um incerto coito,

De improvável intercurso!

 

Devaneio com teu grelo

Que magrelo aponta entre os lábios.

E, com meu falo e as mãos,

Curto e grosso

Desejo-te o corte,

Desejo-te o fosso!

 

E o instinto há de divagar

Em furioso ato,

 

E findará

Solitário e demente,

Em homem,

Suor e semente.

Desejando - sem pressa homenagear O COITO de Ferreira Gullar 

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