sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

 SOCIEDADE DO CANSAÇO


SOCIEDADE DO CANSAÇO

Eu resolvi comprar esse livro quando eu vi uma entrevista no Instagram Desculpe não sei quem foi, mais eu gostei muito do título: Sociedade Do Cansaço

No primeiro capítulo intitulado de A Violência Neuronal, o autor, filosofo Byung-Shul Han distingue a sociedade Moderna da pós-Moderna. A sociedade Moderna era imunológica, viral e bacteriológica. Tinha cura nas vacinas, nas drogas - as doenças “eram virais”. Os males aqui eram “de fora para dentro”. Enxergava alteridade e a estranheza. Era a sociedade da negatividade, da obediência: a sociedade disciplinar.

A sociedade pós-moderna ou sociedade neuronal, como o próprio nome diz, é neurológica, a das terapias e dos traumas. Em vez de enxergar a alteridade, vê a diferença (o outro para menor), Em lugar da estranheza o exotismo (proibido). É um excesso de positividade causando depressões, TDAH, síndrome de burnout, transtornos de personalidade limítrofe. Sociedade de auto-gestão:  a sociedade de desempenho. Aqui os males são de “dentro para fora”.

No capítulo 2 Além Da Sociedade Disciplina, autor explica que sai a sociedade disciplinar, aquela da negatividade do dever, e entra a sociedade de desempenho, a da positividade do poder. O poder sobre si mesmo se transforma em escravidão de si mesmo, quando a farsa de que nada é possível vira uma crença social que nada é impossível. Isso provoca um esgotamento depressivo, e não recai sobre o fato de obedecer a si mesmo, mas sim, na pressão do desempenho sobre si mesmo.

Perdeu-se o Tédio Profundo (capítulo 3). O excesso de positividade, de falsos poderes, ocasiona excessos de estímulos, nos causa a função multitarefa - aquela que faz tudo e ao mesmo tempo não faz nada; coisas rasas, transitórias. A hiperatenção acarretando menos sono, menos Descanso físico; menos tédio, menos Descanso espiritual. Existe aqui uma perda da introspecção, do conhecimento do eu, da intimidade, da espiritualidade. O filósofo recobra os deveres - a potência da negatividade, a concentração do laboro, a atenção profunda e contemplativa, (o nosso ócio criativo!) Determinante para o descanso espiritual e inspirador

Han descreve no capítulo 4 Vita Activa que há uma degradação que tradicionalmente nossa vida ativa era mais contemplativa, a atividade heroica, o ser era um agente que tinha fé em suas obras e na finitude delas. Na modernidade, há mais agitação, uma passividade mortal. O homem virou animal laborans: nada dura, as coisas subsistem, tudo é transitório. Motivando nervosismos e inquietações. O homem é prisioneiro e vigia, vítima e agressor do/no próprio ambiente de trabalho  

A Pedagogia Do Ver é o capítulo 5, em que o escritor os convida à retomada da vida contemplativa; do olhar demorado, profundo e lento; do reaprender a ver, e da não reação imediata aos estímulos. Devemos ter o controle dos estímulos inibitórios e limitativos, com o fazer soberano que diz não, e que não dá margem às inquietudes e as hiperatividades. A volta da negatividade da interrupção, do combate à estupidez mecânica, para promover a ira, e para reacender as potências negativas e positivas do ser .

No capítulo 6 ele conta o Caso de Bartleby que, na visão da sociedade disciplinar, é um personagem que faz uma revolta passiva contra o capitalismo e a burocracia; contra a alienação e a solidão; contra a limitação da empatia; e ainda assim o “preferir não” como uma Liberdade. O autor e filósofo pós-moderno tem uma visão para além, como sociedade desempenho, quando a passividade do personagem demonstra um esgotamento do animal laborans que vive na estupidez mecânica, mas ainda assim, educadamente, tenta negar -  a recorrer sua potência negativa, contra tudo e a todos a sua volta.

E no último capítulo Sociedade Do Cansaço, o filósofo descreve esta sociedade com uma sociedade do desempenho, uma sociedade (pali)ativa pelo ‘doping’ que reduz a vitalidade (algo complexo) a uma função vital e um desempenho vital. Desempenho esse sem desempenho devido ao cansaço solitário, individual, isolado: “ninguém pode, ninguém quer um mau desempenho” –  é preciso manter a farsa do desempenho. Ele confirma que o cansaço de esgotamento é incapacitante, e o cansaço que inspira é o da potência negativa, o do não fazer!

Ainda tenho mais dois livros desse autor em minha lista de leitura...


Nenhum comentário:

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails